Torne-se um Psicanalista

 


Torne-se um Psicanalista

Uma formação premium, com mais de 1300 horas de conteúdo, Professores Didatas, Mestres e Doutores com ampla experiência clínica. Receba acompanhamento direto durante e após a formação.

Estude com Propósito


Curso completo com 36 seminários



O Curso possuí 3 Ciclos Temáticos, organizados para um aprendizado prático e contínuo. Cada ciclo é composto por 12 seminários mensais, Cada Seminário com 2 encontros, com aulas quinzenais, garantindo ritmo, profundidade e assimilação.

Início: 21/02/26 Sábado das 08:00 - 12:00


A ética do desejo e a posição do analista


A, Ética, pura e simplesmente falando, nasceu da necessidade de se organizar 
o caos comportamental humano e dar uma direção a esse comportamento para que a vida em sociedade fosse possível, ao passo que a Filosofia buscou compreender os valores dessa mesma sociedade.

Quando se fala em Ética sob a ótica da Psicanálise, essa traduz a ambivalência entre a culpa do indivíduo que se vê diante da satisfação do Desejo (e entenda-se por desejo aqui, algo estrutural e inato: uma força inconsciente que busca a satisfação de uma necessidade ou prazer, e está sempre em movimento, intrinsecamente ligado à memória de uma experiência passada de satisfação) e a necessidade de negá-lo diante da não aceitação desse desejo pela sociedade.

A Psicanálise então, propõe ao sujeito, que uma vez tomando consciência desse desejo, seja responsável por ele, no sentido de que compreenda que sempre será alguém que deseja alguma coisa (muitas vezes desejando também o que o outro esperou ou espera dele); que é um ser “desejante” e que uma vez que esse desejo seja atendido, outro surgirá no lugar, por ser o desejo algo que se reinventa, que se move, que muda constantemente e que representa o que Lacan chama de “Falta” (o vazio, o não resolvido dentro de nós).

A Ética do analista expressa-se quando esse se coloca diante do analisando, livre de julgamentos e sem a pretensão de ensinar alguma coisa, apresentando-se como alguém “não detentor das respostas que esse paciente busca”; ao fazer isso, frustra o indivíduo, mas o move em busca dessas respostas, em uma jornada solitária e dolorida; o trilhar essa jornada, o atravessar desse caminho, leva esse sujeito a encontrar as respostas, todas dentro de si, onde estiveram o tempo todo.

Ao final dessa trilha, tendo o indivíduo “se deparado com seu desejo”, é capaz de compreendê-lo, e tomar a consciência de que ele nunca será alguém inteiro, satisfeito, uma vez que o desejo, como dito anteriormente, se recria, se reinventa, se transforma em outro por toda a vida. Diante desse processo o sujeito se vê livre e autônomo: compreende e aceita que foi, é e sempre será alguém “desejando algo” que nem sequer sabe o que é, mas que esse algo não rege mais sua vida e suas escolhas; entende também que muitas vezes será necessário resistir às suas próprias demandas e que não as terá atendidas, por viver em sociedade. Nesse ponto, torna-se um indivíduo ético consigo mesmo e para com o outro. A isso chamamos de Ética do desejo.

“Me torno desejante daquilo que não sei o que é.” (Conceito Lacaniano)

B.R. - Psicanalista Didata em Formação


A Psicanálise e o Inconsciente: O Legado de Freud e Seus Herdeiros

A Psicanálise e o Inconsciente: O Legado de Freud e Seus Herdeiros


A psicanálise fundamenta-se no estudo do inconsciente. Através da interpretação dos sonhos e da escuta clínica, Sigmund Freud, ao longo de sua obra teórica e prática, buscou estruturar os principais conceitos que sustentam essa abordagem. Hoje, o inconsciente continua sendo uma ferramenta fundamental para os estudiosos da psicanálise.

Ampliar a visão de que somos inconscientemente movidos por desejos e impulsos é reconhecer que, mesmo no silêncio, algo se manifesta. Os conteúdos inconscientes emergem sem que percebamos, revelando-se nas falhas, nos atos falhos, nos sonhos e nas manifestações simbólicas. A psicanálise nos convida a explorar esses territórios, desvelando o que está oculto e ampliando nossa compreensão de nós mesmos.

A psicanálise não é um saber do passado esquecido, mas sim um presente que constantemente elaboramos e ressignificamos. Freud nos deixou um legado: o inconsciente, os desejos, os impulsos — todos elementos que exigem estudo contínuo. A pergunta “quem sou eu neste mundo de significações e linguagens?” continua sendo um convite ao saber, ao desejo de compreender-se pelo olhar e pela escuta do outro.

Da obra de Freud à de Lacan, a psicanálise nos provoca ao estudo constante do “eu que deseja saber”, movido pelo desejo do Outro. É nesse movimento que seguimos escavando o inconsciente, sempre atual, sempre em transformação.

Para finalizar, hoje, temos vários recursos como: vídeos, livros, redes de profissionais, mas nada substitui o encontro com o outro é aí que perguntamos o que o inconsciente está falando no meio de vários recursos para acesso a psicanálise. A psicanálise não é um passado esquecido e sim um presente que elaboramos e reconstruímos. 


Professor e Psicanalista Crisney Barbosa

Didata em formação pela Academia Tríade da Psicanálise

A ética do desejo como princípio fundamental


Para falar de ética na psicanálise é necessário, primeiro, falar sobre a origem e o caminho 
que a ética percorreu pela história da humanidade. 

Platão elevou a ética ao ideal, vinculando o agir correto à verdade das essências, em especial à ideia do Bem. Para ele, a virtude, sabedoria, coragem, temperança e a justiça harmonia da alma são os norteadores de uma vida virtuosa e feliz. 

A ética evoluiu, a partir de regras sociais muitas vezes implícitas, para a investigação filosófica que propõe uma reflexão sobre valores que perpassam as regras de uma sociedade. Tais valores implicam pensarmos sobre a moral como a manifestação prática da ética em nossas ações.

Para isso é necessário, também, ter em mente que a moral é a forma que eu ajo de acordo com as normas que a sociedade me impõe; imoral é agir contra as regras impostas pela sociedade; amoral representa o estado infantil, cujas ações desconhecem as regras. Uma determinada ação ou prática que é considerada moral, imoral ou amoral numa sociedade, pode ser completamente vista de forma distinta em outra. Neste sentido, a ética visa justamente a reflexão sobre o que é moral em um lugar e imoral em outro, mas não o respeito ingênuo a essa diferença.

A ética da psicanálise, a ética do desejo, segue os mesmos fundamentos da ética filosófica?

A resposta é: não exatamente. A ética do desejo é um princípio fundamental: o único imperativo ético para o sujeito é “não ceder de seu desejo”. Ou seja, a verdadeira responsabilidade do sujeito é sua verdade inconsciente: o desejo, mesmo que conflituoso, que o constitui. 

Esse desejo pode se opor a uma moral de adaptação social e, ainda que assim o seja, o sujeito não deve ocultar, fugir ou resistir ao desejo, pois é ele que o conduzirá à satisfação que busca. 

A ética da psicanálise, em sua práxis clínica, é um termo que engloba a aplicação e o posicionamento do analista para que a ética do desejo encontre maneiras que permitam a sua realização.

Se todo sujeito não deveria ceder de seu desejo, como então o analista, sendo também um sujeito, lida com seu próprio desejo?

A ética da psicanálise implica justamente que o analista, por meio da escuta e da interpretação, priorize as formas que permitam o analisando a realizar seus desejos. Isso significa que ao analista cabe, não só, controlar seu desejo, mas também não permitir que ele interfira na elaboração e, possivelmente, na execução dos desejos de seus pacientes. Uma situação que parece ser conflituosa, já que é, justamente, o desejo do analista que permite sustentar a escuta flutuante, lutando muitas vezes contra seu desejo pessoal, de forma que o tratamento entre em operação e, assim, tenha como meta exclusiva o desejo do paciente. 


Psicanalista Marcelo Henrique Barbosa

Didata em formação pela Academia Tríade da Psicanálise

A ÉTICA DO DESEJO E A POSIÇÃO DO ANALISTA - II

 

A ÉTICA DO DESEJO E A POSIÇÃO DO ANALISTA - II

Neste pequeno texto faço um breve relato da percepção e aprendizado que tive em relação a primeira aula do Curso de Aperfeiçoamento em Psicanalista Didata. 

curso está dividido em 6 Seminários cada um com dois encontros e em 1º de outubro aconteceu o primeiro deles, intitulado A Ética do Desejo e a Posição do Analista. 

Pude observar e assimilar que a ética da psicanálise é diferente da ética pessoal ou socialmente tradicional. O foco está em como o sujeito lida com seu desejo e como isso está relacionado com o seu Inconsciente. 

Este conceito lacaniano sobre a ética fica contornando a ideia de que o indivíduo deve não ceder em seu desejo que, para Lacan, está em conexão à falta. 

Entendi que na clínica o analista deve ficar atento ao excesso de culpa que o superego internaliza no sujeito internalização essa , baseada numa moral parental e social para que aprenda a se sacrificar e reprimir suas pulsões como preço a pagar para ser amado e pertencido.

Então na análise o analista deverá ajudar o analisando a reconhecer seu desejo autêntico desmistificando as pressões sociais de forma contida, abstinente e com neutralidade. 

O professor também comentou que para Lacan o desejo é estrutural e, portanto, aquilo que nos move e que na maior parte das vezes, não se sabe o que é. Quando crianças, as indagações podem ser traduzidas em: O que o Outro quer de mim? O que faço para manter a afeição dele?

Em uma postura mais saudável o ideal será de, sustentar o seu desejo mesmo que seja doloroso. Com a falta do analista, ou seja, com ele não respondendo as demandas, motiva-se o analisando a encontrar a resposta dentro dele. 

No texto indicado para leitura antes da aula, intitulado: O lugar do analista e a ética do desejo, dos autores LANDI, E.C. e CHATERLAD, D.S. descreve-se que a escuta flutuante do analista permite ao analisante entrar em contato com sua emergência inconsciente, realizando a transferência simbólica e questionando-se: Quem sou eu? no lugar de O que querem de mim?

Psicanalista Maria Fernanda Marques Teixeira

Didata em formação pela Academia Tríade da Psicanálise

A ética do desejo e a posição do analista - I

 


A ética, desde o inicio de sua história, sempre esteve se modificando e em movimento. Nasceu vinculada inicialmente à moral, ao dever, às regras que orientavam o convívio em sociedade. À medida que atravessou diferentes campos, passando pela filosofia, religião, ciência e política, foi se moldando 
conforme o olhar, a necessidade e os valores de cada época e cultura. 

O que é ético em uma sociedade pode ser inaceitável em outra, pois cada cultura constrói seus próprios parâmetros do que é aceito, do que é interdito, do que é desejável.

Por outro lado na Psicanálise a ética ganha um contorno singular e diferenciado. Ela não se restringe às normas que regem a prática, com direitos e deveres do analista e do analisando, mas diz respeito à própria posição do analista diante do desejo. 

A ética na Psicanálise é, em primeiro lugar, uma ética do desejo. E por desejo entendemos o que move o sujeito, o que o atravessa, o que o constitui. Cabe ao analista não ocupar o lugar de saber absoluto, de quem sabe o que o outro deve desejar, mas sim o lugar de quem sustenta a escuta para que o analisando possa descobrir o que o move e como isso lhe afeta.

Por isso, a tríade freudiana, teoria, supervisão e análise pessoal, é mais do que uma orientação técnica ao analista, é uma sustentação ética. A teoria firma o saber, a supervisão evoca o lugar do não-saber, e a análise pessoal protege o analista de confundir o que é seu com o que pertence ao outro. A ética da Psicanálise solicita e mesmo exige que o analista suporte o silêncio, o não-saber e o desconforto; que resista à tentação de guiar o caminho e as escolhas do outro, permitindo assim que o analisando se coloque no lugar da responsabilidade por suas decisões e por aquilo que o faz sofrer.

Dessa forma, a ética na Psicanálise não promete cura como esquecimento nem ausência de dor, mas como travessia, como possibilidade de encontrar o lugar do viver bem apesar de sua historia. O analista, sustentando seu lugar do não-desejo, acompanha o analisando ,dando suporte, para que este possa reconhecer, compreender e suportar o seu próprio desejo no caminho de viver melhor, apesar da dor que o habita.

Psicanalista Carla S. A. Moreira

Didata em formação pela Academia Tríade da Psicanálise

Destaque:

Depois do dia de Natal!

Depois do dia de Natal! Após o Natal, emergem reminiscências, experiências passadas e novas vivências que se entrelaçam no campo do desejo....