Depois do dia de Natal!

Depois do dia de Natal!


Após o Natal, emergem reminiscências, experiências passadas e novas vivências que se entrelaçam no campo do desejo. 

Lacan já apontava para essa dinâmica ao articular a relação entre o objeto e a repetição. Aquilo que se recebe como presente não se reduz ao objeto em si, mas à pergunta fundamental: esse presente saciou o meu desejo? 

Frequentemente, o que se constata é uma fratura entre o que se desejava receber e o que efetivamente foi recebido. É nesse intervalo que o presente pode tornar-se um objeto perdido, capturado pelas expectativas que o antecederam.

Em Lacan, esse registro remete à tentativa incessante de redescobrir o objeto perdido do desejo não um objeto real, mas aquilo que se inscreve como falta estruturante. O presente, nesse sentido, não responde plenamente ao desejo, pois o desejo não se satisfaz; ele se desloca, se repete e se reinscreve em novas formações.

É fundamental reconhecer que há uma relação intrínseca entre desejo e perspectiva implícita do próprio desejar, isto é, entre aquilo que se espera e a forma como o desejo se manifesta nas relações vividas. Trata-se de uma dinâmica marcada pela reciprocidade e, ao mesmo tempo, pela oposição entre o sujeito e o Outro. 

O presente, então, passa a ocupar o lugar de um acontecimento simbólico entre ambos: não apenas um objeto trocado, mas um evento que evidencia a falta, o desencontro e a repetição que sustentam o desejo.

É aquilo que se oferece a alguém como gesto de afeto, lembrança, cuidado ou celebração do vínculo. O valor do presente não está somente no objeto, mas na intenção de quem dá e no laço que se reafirma.

O presente não coincide necessariamente com o desejo. Muitas vezes ele:

Tenta responder a uma falta,

Representa algo do Outro (quem oferece),

Revela a distância entre o que se espera receber e o que efetivamente se recebe.

É o sentido simbólico da psicanálise estudado por Lacan.

Então, sempre esperamos o próximo presente!

 

Psicanalista e Neuropsicanalista

Psicanalista Didata em Formação

Crisney Barbosa 

Mitos sobre a Psicanálise - I

 


A psicanálise é uma das abordagens mais instigantes e abrangentes para compreender o funcionamento da mente humana. No entanto, ainda hoje, muitos mitos cercam essa prática, afastando pessoas que poderiam se beneficiar imensamente de seu estudo ou aplicação. Neste artigo, vamos desmistificar quatro ideias equivocadas sobre a psicanálise e mostrar por que ela continua atual, relevante e significativa.

Mito 1: "A psicanálise não é abordagem da psicologia"

Embora a psicanálise tenha raízes na psicologia, ela se desenvolveu como um campo próprio, com fundamentos teóricos e clínicos específicos. Freud, seu criador, era médico e neurologista e muitos dos primeiros psicanalistas vieram de áreas diversas. Hoje, a psicanálise dialoga com a psicologia, filosofia, medicina, arte e até com a neurociência, mas não se limita a nenhuma delas. Qualquer pessoa interessada pode estudar psicanálise, independentemente da formação inicial.

Mito 2: "É coisa do passado"

A ideia de que a psicanálise ficou ultrapassada ignora os avanços contemporâneos que a conectam à ciência moderna. Um exemplo é o trabalho do neurologista e psicanalista Mark Solms, fundador da neuropsicanálise. Ele mostra como descobertas da neurociência confirmam muitas das hipóteses freudianas sobre o inconsciente, os sonhos e os afetos. A psicanálise não apenas sobreviveu ao tempo, ela se atualizou e se fortaleceu.

Mito 3: "Só serve para problemas graves"

Muitas pessoas acreditam que a psicanálise é indicada apenas para casos clínicos severos. Na verdade, ela é uma ferramenta poderosa para o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal. Ao explorar os conteúdos inconscientes, o sujeito pode compreender melhor seus desejos, padrões de comportamento e conflitos internos, promovendo escolhas mais conscientes e relações mais saudáveis.

Mito 4: "Tudo está associado à mãe"

É comum ouvir que a psicanálise "culpa a mãe" por todos os problemas. Embora as primeiras relações (com mãe, pai ou cuidadores) sejam importantes na formação psíquica, a psicanálise contemporânea considera múltiplos fatores: sociais, culturais, históricos e relacionais. O foco não está em responsabilizar figuras parentais, mas em entender como essas experiências moldam o sujeito, seus desejos e influenciam sua vida atual.

Considerações:

A psicanálise é muito mais do que os estereótipos que a cercam. Ela oferece uma lente rica e complexa para compreender o ser humano em sua totalidade. Se você já ouviu algum desses mitos, talvez seja hora de olhar para a psicanálise com novos olhos. 

E se quiser saber mais, participe da nossa Aula Magna no dia 31, uma oportunidade única para mergulhar nesse universo misterioso que é a mente humana.

Aula Magna

31/01/26

09:00

Inscreva-se!

https://www.atriapsicanalise.com.br/psicanalise-aulamagna

Prof. Paulo



Destaque:

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